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quarta-feira, 27 de maio de 2009

O fabuloso destino de Tom Harrell


Ele é considerado por muitos um gênio em termos musicais. Possui uma habilidade de compor ao vivo solos em escalas e notas nunca antes ensaiadas com numa velocidade fora do comum. Ele é Tom Harrell, trompestista norte americano nascido Illinois. No seu currículo musical tocou com Dizzy Gillespie, Lionel Hampton, Horacer Silver, Bill Evans entre outros. A sua maestria em soprar o trompete e o seu status de band leader são atributos reconhecidos, mas é a doença de Tom que o particulariza no universo jazz.

Tom Harrell sofre de esquizofrenia paranóica há mais de 20 anos. A maneira como a doença se manifesta é psicológica, um distúrbio mental que o faz ter medo e fobia de pessoas e vozes e isto explica a sua performance em palco. Quem não o conhece e o ver tocar pela primeira vez no mínimo acha estranho aquele homem de mais de meia idade a tocar de maneira autista e isolada. Sua performance chega ser teatral: Enquanto os outros musicos interagem ele se isola no palco, fica imóvel. Quando chega a sua vez de solar se aproxima do microfone e o faz, no final se isola outra vez. Harrell não se comunica verbalmente com os músicos da seu banda, a comunicação é musical. Harrell tem medo de ouvir vozes e entrar em paranoia, tem medo de que os outros não queiram mais ouvir tocá-lo e por esta razão as vezes nem passa muito tempo em palco.

No palco existem riscos de Harrell manifestar algum surto ( mas não é sempre) o que consequentemente o faz imobilizar. Foi o que aconteceu na sua última perfomance em Itália no festival de jazz de Vicenza. Harrell dividiu o palco com o pianista italiano Dado Moroni, em concerto espetacular onde o diálogo entre os dois fruiu muito bem, mas, os aplausos do público por alguns momento fez Harrell ficar imóvel, sem reações aparente.

Apesar dessa particularidade, Tom Harrell é um músico de jazz por excelência. Começou a tocar aos oito anos de idade inspirado por Dizzy Gillespie. Harrell divide a sua vida entre a música e os medicamentos que toma para controlar esse distúrbio. É bastante filosofico ao refletir a sua arte: "I like to think of my music as a play of colors over a rhythm” he has said: “it’s like inviting the listeners to visit an art gallery to view an exhibition of various paintings. We express our feelings through timbres and colors within our world of sense, so as to then transcend them and enter the spiritual dimension”.

Assim como qualquer outro músico respeitado de jazz, Harrell é bastante ativo com uma agenda cheia de shows pelos Estados Unidos e Europa. A sua doença não parece ser um obstáculo, mas o jazz é a sua cura e a música o seu fabuloso destino.


terça-feira, 19 de maio de 2009

Cannonball Adderley - Somethin' Else (1958)

Somethin' Else é um dos maiores álbuns de jazz de todos os tempos, ficando atrás na minha humilde opinião de somente um disco, do clássico "Kind Of Blue", do grande trompetista "Miles Davis", que inclusive participa dessa sessão como convidado, e literalmente rouba a cena. O saxofonista Cannonball Adderley assina o álbum como lider, e não decepciona, mas é Miles que dá um verdadeiro show, chamando toda a atenção para o seu trompete. O álbum também conta com o pianista Hank Jones, com o baixista Sam Jones e com a maravilhosa bateria de Art Blakey.

Confira: http://www.mediafire.com/?qdmmztyujyy

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O scat de Zorn e a fuga de Caine

Vicenza Jazz Festival, Italia


Quando Louis Armostrong gravou em 1926 o albúm Heebie Jeebies popularizou no universo Jazz a técnica vocal do "scat" que consiste em produzir sons onomatopeicos sem nenhuma estrutura de frase. Quase um século depois o saxofonista americano John Zorn , nas recentes performances duo com o pianista Uri Caine, parece querer reviver esta técnica no saxofone e mostrá-la enquanto parte integrante do seu universo estilístico.

Zorn é um personagem da música que interpreta vários papéis. Houve um tempo em que ele era conhecido como o músico das homenagens em função dos albúns News For Lulu, Spy vs. Spy e The Big Gundown cujo trabalho foi o de revisitar músicos como Kenny Dorham, Hank Mobley, Sonnie Clark Freddie Redd, Ornette Coleman e Ennio Morricone. Noutros tempos Zorn mostrou dar voltar na cena pós avante garde explorando sonoridades noise, metal, grind core, hard rock.

Nos recentes concertos que tem feito pela Europa desde o ínicio do ano com pianista norte-americano Uri Caine, Zorn tem levado a sua criatividade interpretativa ao extremo. O seu cartão de visita tem sido a sua técnica peculiar de extrair sons de notas não identificadas resultados de sopros rápidos, descontínuo e desordenados. Essa curiosa combinação muitos tem chamado de scat no sax, coisa que Zorn não fazia desde os tempos dos albúns Cobra (1987) e Lacrosse (1977,2000), por exemplo.



Uri Caine apesar da sua formação clássica, regra para quase todos os pianistas, procurou ao longo de sua carreira liberta-se dos arranjos tradicionais revisitantando à sua maneira Mahler, Wagner, Beethoven, Bach e Schumann. As obras do compositor clássico Gustavo Mahler conseguiu dá um toque Jazz num albúm que gravou em 1997.

Caine é um músico eclético e reiventador da música clássica, mas quando se junta a Zorn parece viver intensamente a sua liberdade interpretativa no jazz revisitando aquilo que sabe e inventando aquilo que quer. No palco Zorn e Caine demonstram ser uma combinação perfeita, com o espaço para o diálogo e também para singularidade interpretativa dos músicos.