Olá! Seja bem vindo!

"O objetivo desse blog é compartilhar boa música"

sábado, 27 de junho de 2009

A diplomacia nos bastidores do jazz

Dizem que na política a arte está em ser diplomático com os concorrentes e candidatos de outros partidos e esta máxima também se aplica ao Jazz. São em festivais que as várias ideologias musicais se encontram e nessas horas a diplomacia é essencial. Os grandes festivais pela Europa tem celebrado encontros entre músicos renomados e a nova geração dando ao público uma idéia do que se anda a fazer em termos de jazz no momento. Da terrinha um exemplo recente foi o festival de Jazz de Coimbra (24 maio a 6 junho) que destacou o encontro diplomático entre o multi instrumentista americano Joe McPhee e o jovem trompestista alemão Matthias Schriefl.

Nascido na Flórida em 1939, McPhee é um dos nomes citados quando se fala na cena free jazz. Amigo pessoal de John Coltrane teve a oportunidade de estar com ele num quarto de hotel no dia anterior a morte de Coltrane, um adeus premeditado pelo destino. Apesar da cena free jazz focar muito na tríade Coleman, Davis e Coltrane, McPhee foi tão importante quanto, porém menos conhecido em relação aos outros. Atualmente ele e Ornette Coleman são as duas lendas vivas daquele movimento Free dos anos 60.

McPhee é um músico que sempre preservou o espírito da livre improvisação sem estar preso ao formalismo acadêmico estético. Nas suas atuações solo de trompete e sax há um esforço do músico em sequenciar temas pessoais, procurando variar entre sonoridade ritma e melódica. McPhee é também bastante místico em suas atuações. Costuma misturar silencio e sonoridade, uma filosofia adotada por ele muito em função da sua experiência e também pela convivência com a acordeonista Pauline Oliveros. Além das atuações solo, McPhee toca com Peter Brotzmann com quem divide a seção melódica nos Chicago Tentet, um dos melhores projeto estilo free avant-garde na minha opinião.

Quanto ao jovem trompetista alemão Mattias Schriefl de talento solo notório dizem que ele ainda está por amadurecer uma relação sólida com o seu instrumento e por isso tem divergido opiniões dos críticos de jazz.

O seu quarteto ShreePunk formado por outros jovens entre 20 e 30 anos é um projeto onde nem sempre daquilo que tocam é classificável de jazz, há pouco diálogo entre os músicos pouca percepção da sincronia ritmica e melódica. Mas, Mathias Schriefl é um músico muito dedicado aos estudos do trompete e já ganhou vários prêmios. Quando sozinho vai muito além daquilo que se vê em palco com seu quarteto. É unânime que Matthias Schriefl venha a ser promissor no trompete se continuar a evoluir no instrumento e principalmente no seu conceito não musical e não jazzístico.





http://www.joemcphee.com/
http://www.myspace.com/shreefpunk

2 comentários:

Salsa disse...

Soube do seu blog em outro, do amigo Érico. Voltarei outras vezes para partilharmos idéias sobre jazz.
abraços,

Flavia disse...

Claro querido, seja bem-vindo!

abs