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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Jazz escandinavo


Não foi na Europa que o Jazz teve o seu boom inicial, mas, foi neste território onde o estilo migrou com mais força sendo os países europeus consumidores secundários do jazz principalmente após a gravação dos Dixieland Band em 1917. Ainda que cada país do velho mundo tenha uma historia particular em relação ao jazz, é na Escandinávia que o estilo encontra uma teoria particular. O chamado"Nordic Tone" é algo que muitos tendem a definir como um sopro frio que vem de muito distante.
O fator climático desta parte do continente se traduz em metáfora estética para definir o resultado de uma obra artística e com isto dizer que ela é assim mais sombria e fechada. No cinema, o suéco Ingmar Bergman fez notar isto através da exploração dramática dos personagens, cuja trama pessoal era sempre muito claustrofóbica.
No caso do Jazz o lado sombrio se sobressai pelas notas longas e intensas melodias aliadas as notas graves, uma espécie de Carmina Burana do jazz. Os Sten Sandell trio da Suécia é um bom exemplo disto. Piano, órgão, percussão liderados por Gush, Mats Gustafsson e Raymond Strid, o trio consegue sintetizar esta aura sombria do Nordic Tone no Jazz.
O saxofonista norueguês Jan Garbarek é um dos músicos que explora bastante este tom nórdico utilizando também elementos do folk tradicional dos países escandinavos. Nos anos 70, Garbarek integrou o "Europen Quartet" liderado por Keith Jarrett num periódo onde o pós-bop estava em alta. Garbarek é uma figura ímpar do Jazz nórdico. Experimentou um pouco de cada estilo dando sempre espaço à sua liberdade interpretativa e identidade musical. Integrou outras formações, nomeadamente o Triptykon, o trio que revelou o baterista Edward Vesala um grande nome da cena free jazz escadinava dos anos 60.
O sopro frio e sombrio dos países nórdicos se generalizados transformam-se num simbolismo limitado associado ao jazz desta parte do globo, mas que por outro lado não deixar de ser verdade já que quase sempre esta característica está presente. Alexi Tuomarila e Tord Gustavsen dois célebres pianistas atuais são músicos que mesmo de uma geração mais recente trazem em cada nota que tocam esta herança cultural. As excessões existem, ao exemplo dos músicos Nils Petter e Eivind Aarset e mesmo os Fredrik Nordstrom Quintet que vi tocar em Lisboa, ainda sim o tal tom está lá.
Mas o fato é que "Nordic Tone" parece ser um movimento espontâneo onde os músicos procuram estar associados a sua matriz musical geográfica, tal e qual fizeram os jazzístas de New Orleans ou os Bluesman de Chicago. O que no fundo é muito natural já que a música jazz há muito tempo está globalizada e o resultado disto são as várias "glocalizações" do estilo ou "glotonizações" para usar um neologismo.

2 comentários:

Caio Garrido disse...

Muito boa a matéria...
vou procurar ouvir as dicas aí presentes...
abrs!

Hapi disse...

hello... hapi blogging... have a nice day! just visiting here....