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sexta-feira, 15 de maio de 2009

O scat de Zorn e a fuga de Caine

Vicenza Jazz Festival, Italia


Quando Louis Armostrong gravou em 1926 o albúm Heebie Jeebies popularizou no universo Jazz a técnica vocal do "scat" que consiste em produzir sons onomatopeicos sem nenhuma estrutura de frase. Quase um século depois o saxofonista americano John Zorn , nas recentes performances duo com o pianista Uri Caine, parece querer reviver esta técnica no saxofone e mostrá-la enquanto parte integrante do seu universo estilístico.

Zorn é um personagem da música que interpreta vários papéis. Houve um tempo em que ele era conhecido como o músico das homenagens em função dos albúns News For Lulu, Spy vs. Spy e The Big Gundown cujo trabalho foi o de revisitar músicos como Kenny Dorham, Hank Mobley, Sonnie Clark Freddie Redd, Ornette Coleman e Ennio Morricone. Noutros tempos Zorn mostrou dar voltar na cena pós avante garde explorando sonoridades noise, metal, grind core, hard rock.

Nos recentes concertos que tem feito pela Europa desde o ínicio do ano com pianista norte-americano Uri Caine, Zorn tem levado a sua criatividade interpretativa ao extremo. O seu cartão de visita tem sido a sua técnica peculiar de extrair sons de notas não identificadas resultados de sopros rápidos, descontínuo e desordenados. Essa curiosa combinação muitos tem chamado de scat no sax, coisa que Zorn não fazia desde os tempos dos albúns Cobra (1987) e Lacrosse (1977,2000), por exemplo.



Uri Caine apesar da sua formação clássica, regra para quase todos os pianistas, procurou ao longo de sua carreira liberta-se dos arranjos tradicionais revisitantando à sua maneira Mahler, Wagner, Beethoven, Bach e Schumann. As obras do compositor clássico Gustavo Mahler conseguiu dá um toque Jazz num albúm que gravou em 1997.

Caine é um músico eclético e reiventador da música clássica, mas quando se junta a Zorn parece viver intensamente a sua liberdade interpretativa no jazz revisitando aquilo que sabe e inventando aquilo que quer. No palco Zorn e Caine demonstram ser uma combinação perfeita, com o espaço para o diálogo e também para singularidade interpretativa dos músicos.

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